A bomba atômica
é um ícone da Era
Contemporânea. Ela não foi criada pelos japoneses, mas foi
no Japão que ela foi
pela primeira vez usada contra pessoas, durante a 2ª Guerra
Mundial, em agosto
de 1945. Desde então a bomba atômica tornou-se
símbolo negativo do engenho
humano e brinquedo predileto almejado por líderes
políticos do mundo, sendo que
o povo japonês detém até hoje o trágico
recorde de ter sido a única nação a
experimentar na carne os efeitos de um bombardeio atômico. O que
é a bomba
atômica e como ela se incorporou à cultura de um povo
é algo que Cristiane A.
Sato, colaboradora do CULTURA JAPONESA, apresentará nesta
matéria.
Link para ver as imagens: http://www.culturajaponesa.com.br/htm/bombaatomicafoto.html
6 DE AGOSTO
Na história da
humanidade poucas
efemérides são tão importantes, ou celebradas com
tanta tristeza como a data de
6 de agosto.
Em 6 de agosto de 1945, a
primeira bomba
atômica feita pelo homem e usada contra a própria
humanidade explodiu na cidade
japonesa de Hiroshima. Em 9 de agosto de 1945, foi a vez de outra
cidade:
Nagasaki - a maior comunidade cristã do Japão. Estima-se
que 70 mil pessoas
morreram na hora ou poucas horas depois das explosões. Outras
130 mil morreram
nos 5 anos subseqüentes, em função de ferimentos e
doenças causadas pela
exposição à radiação. Assim,
calcula-se que 200 mil pessoas teriam sido o custo
pago pela passagem da humanidade para a Era Nuclear, mas estas
são cifras
mínimas estimadas. A verdade é que nunca se saberá
ao certo quantas centenas de
milhares de vidas foram tomadas ou afetadas para sempre com apenas duas
explosões.
Todos os anos, no dia 6 de
agosto em
Hiroshima, e 9 de agosto em Nagasaki, são realizadas enormes
cerimônias em
memória aos mortos das bombas atômicas, com a
presença do Imperador e da
Imperatriz. As cidades podem ter sido reconstruídas, mas o
trauma é permanente.
Cada um dos sobreviventes tem uma história de dor e terror, e
uma tristeza que
nunca desaparece. Muitos não conseguem sequer falar sobre o
assunto, mesmo
décadas depois. Os poucos que conseguem, mesmo após tanto
tempo, não conseguem
evitar a voz trêmula e as lágrimas. Em comum, cada hibakusha (sobrevivente da bomba) tem a esperança
de que aquilo que
aconteceu com eles nunca mais se repita.
Numa época em que a
ameaça de que a
tecnologia das armas nucleares caia em mãos de grupos
extremistas terroristas,
e na qual um crescente número de nações almeja a
posse de tal tecnologia,
apesar dos já conhecidos enormes riscos e poucos
benefícios que a energia
nuclear oferece, é essencial relembrar
Hiroshima e Nagasaki. Paz mundial não é uma utopia, mas
uma necessidade para a
sobrevivência da humanidade. O slogan
"Hiroshima Nunca Mais" permanece tão atual quanto na
época em que foi
criado.
Escrever sobre a Bomba
Atômica possui dois
aspectos distintos, como no filme "Titanic". Assim, neste artigo, o
assunto está dividido em duas partes - uma objetiva e outra
subjetiva, como no
filme. A primeira parte, de caráter mais técnico e
histórico, trata da bomba em
si e de detalhes do bombardeio. A segunda parte trata do impacto
humano, de
histórias e questões dos sobreviventes, e de como a bomba
gerou questionamentos
éticos e políticos até nossos dias,
incorporando-se à cultura contemporânea.
www.culturajaponesa.com.br/htm/bombaatomica.html
- Cristiane A. Sato
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