BREVE HISTÓRIA DA
BOMBA ATÔMICA
O texto a seguir foi
compilado do livro
"História em Revista - A Arte da Guerra", publicado pela
Time-Life e
Abril Livros em 1993.
"Desde os primeiros anos do
século
XX, os cientistas sabiam que poderosas forças habitavam o mundo
invisível do
átomo. Em 1938, dois cientistas alemães conseguiram
romper o núcleo do maior
átomo da natureza: o do urânio. Nesse processo, houve
desprendimento de energia
- numa quantidade imensamente maior do que a gerada por
reações químicas.
(Cálculos subseqüentes indicaram que a fissão
nuclear, como o processo de
ruptura do núcleo do átomo ficou conhecido, podia
produzir 40 milhões de vezes
mais energia do que o máximo obtido por meios químicos,
inclusive a combustão
das bombas convencionais).
Notícias do que os
alemães haviam
conseguido espalharam-se rapidamente e em breve os físicos da
Inglaterra,
França, Estados Unidos e Japão engajavam-se em
experiências similares. Em 1939,
na Universidade de Columbia, na cidade de Nova York, Leo Szilard,
refugiado
húngaro que abandonara seu país para escapar aos
nazistas, demonstrou que a
fissão nuclear liberava nêutrons, partículas
subatômicas que podem romper o
núcleo de outros átomos, liberando ainda mais
nêutrons - e assim por diante, em
uma reação em cadeia auto-sustentável. "Nessa
noite", afirmou
Szilard, "eu soube que o mundo se cobriria de tristeza".
Entretanto, logo os
físicos descobriram
que a fissão auto-sustentável só era
possível com o U-235, um isótopo que constituía
uma ínfima fração do urânio de
ocorrência natural, ou com um novo elemento
chamado plutônio, que podia ser criado bombardeando com
nêutrons o principal
isótopo de urânio, o U-238. A obtenção de
quantidades significativas de
qualquer das duas substâncias propunha um problema
incrívelmente difícil à
física, à química e à engenharia. Durante
os anos da guerra, somente os Estados
Unidos dispunham de recursos e de meios científicos (sem contar
a capacidade
intelectual de dezenas de físicos que haviam fugido ao nazismo)
para a tarefa.
O esforço americano, conhecido como Projeto Manhattan, custou
mais de 2 bilhões
de dólares e, em seu auge, empregou mais de 600 mil pessoas,
trabalhando sob
condições cuidadosamente planejadas para manter o segredo.
Às 5:30 do dia 16 de
julho de 1945, uma
bomba atômica feita de plutônio foi testada com sucesso no
campo de Alamogordo,
no Novo México. A centenas de quilômetros de
distância, as pessoas acharam que
havia ocorrido um terremoto, ou que um meteorito gigante caíra
nas
proximidades. A luz da explosão poderia ter sido vista
até em Marte. No mesmo
momento, o presidente Harry Truman estava em Potsdam - nos arredores de
Berlim
- discutindo a política do pós-guerra com Winston
Churchill e Joseph Stalin.
Quando foi confidencialmente informado por sua equipe do sucesso da
explosão no
Novo México, ele referiu-se à bomba como a "maior coisa
da história".
Ele tencionava usá-la para pôr fim à guerra com o
Japão. (...)
No início da
manhã de 6 de agosto, um B-29
que recebera o nome de Enola Gay
decolou da ilha de Tinian com uma escolta de dois aviões e voou
2400
quilômetros até Hiroshima, uma cidade com 280 mil
habitantes e algumas fábricas
de material bélico. O avião aproximou-se a uma altitude
de 9450 metros, lançou
sua única bomba e afastou-se imediatamente da cidade em uma
manobra violenta.
Quarenta e três segundos depois, às 8:16:02 horas, hora de
Hiroshima, a bomba
explodiu, 580 metros acima do pátio de um hospital. A energia
liberada
equivalia a 20 mil toneladas de TNT. O Enola
Gay, que então já se afastara mais de 18
quilômetros do local, foi
chacoalhado como uma rolha, quando as ondas de choque o atingiram.
O que aconteceu abaixo da
explosão foi a
devastação total. Um patologista americano pertencente a
uma equipe de
investigação após a guerra fez o seguinte relato:
"Junto com o clarão de
luz houve uma instantânea onda de calor (...) sua
duração foi provavelmente
inferior a um décimo de segundo, mas sua intensidade foi
suficiente para que os
objetos inflamáveis mais próximos (...) ficassem em
chamas, os postes fossem
lançados a 4 mil jardas (3658 metros), o granito se enrugasse, a
uma distância
de 1300 jardas (1189 metros) de distância".
A bomba lançada em
Hiroshima foi apelidada
de Little Boy. Media pouco menos de 3
metros de comprimento, pesava 4 toneladas e foi armada com uma carga de
urânio
235. Para impedir uma explosão prematura, ela tinha três
detonadores separados.
O último detonador foi acionado por radar, quando a bomba
estivesse cerca de
580 metros de altitude, altura esta que segundo cálculos
provocaria danos
máximos à cidade. A bomba lançada em Nagasaki era
um pouco diferente da de
Hiroshima. Chamada de Fat Man, ela
era mais arredondada e um pouco maior que a Little
Boy. Media 3 metros e 20 centímetros de comprimento, tinha
um diâmetro de
um metro e meio, pesava 4 toneladas e meia e tinha uma carga de
plutônio 239. A
potência da bomba de Hiroshima foi de 13 quilotons (o equivalente
a 13 mil
toneladas de TNT). Ela destruiu literalmente tudo que havia num raio de
dois
quilômetros da explosão (a título de
comparação, supondo que uma dessas bombas
explodisse na cidade de São Paulo sobre a Catedral da Sé,
no centro da cidade,
a área de destruição total abrangeria os bairros
da Liberdade, Cambuci, Brás,
Bom Retiro, Bela Vista, República e a região
próxima à Universidade Mackenzie).
A taxa de sobrevivência no raio de um quilômetro do
epicentro da explosão foram
de menos de um habitante a cada grupo de mil. Robert Lewis, co-piloto
do Enola Gay, referindo-se à explosão,
escreveu
em seu diário: "Meu Deus, o que foi que nós fizemos?"
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