sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Como eu amo essa planta maravilhosaaa....

Sakura e templos milenares da montanha Yoshino

Diante do pavilhão Zao-do, sacerdotes Yamabushi, da religião Shugen-do, iniciam o Ogoma. Esse é um dos rituais realizados no festival Hanaku-senpoe
Uma grossa coluna de fumaça subia na área do templo Kinpusen-ji. Os sacerdotes Yamabushi tocavam cornetas de búzio e realizavam rituais diante de uma enorme fogueira. O fumacê era tanto que, visto de longe, poderia até se pensar que era um incêndio. Mas, não, era um festival mesmo.

Essa e outras cerimônias exóticas são partes de um matsuri que tem um milênio de tradição, o Hanaku-senpoe. Ele é realizado todo ano nos dias 10, 11 e 12 de abril para comemorar a floração das cerejeiras na montanha Yoshino (Nara), e para anunciar à divindade cultuada nesse santuário que as flores atingiram o esplendor máximo.

A princípio, a viagem que fiz a Yoshino foi para ver as suas famosas cerejeiras, pois foi nessa área que começou o costume de plantá-las para contemplar a floração. Por fim, também acabei curtindo bastante os inúmeros templos e a tradição religiosa local.

A chamada Yoshino-yama é um conjunto de montanhas que fica na península de Kii e que se estende por três províncias: Nara, Wakayama e Mie. Em 2004, alguns pontos e templos dessa serra foram registrados como Patrimônio da Humanidade sob a denominação de “Locais Sagrados e Rotas de Peregrinação nas montanhas Kii”.

Divindade na cerejeira
Conta a lenda que, no século 7, Enno Ozunu, o criador da religião Shugen-do, estava se impondo um rigoroso treinamento espiritual na montanha Yoshino quando teve uma visão: a divindade Zao-gongen apareceu para ele. Em estado de graça, o asceta esculpiu num pedaço de tronco de cerejeira a imagem que viu e construiu uma capela para cultuá-la.

Foi assim que surgiu o templo Kinpusen-ji, a matriz do Shugen-do, e que a cerejeira passou a ser uma árvore sagrada na região.

Caminhos de peregrinação
Desde então, a serra Yoshino-yama se tornou um local sagrado para os adeptos da religião Shugen-do e foram erguidos muitos templos nos caminhos de peregrinação que atravessavam as montanhas.

Até hoje, essas rotas estão preservadas e nelas se encontram santuários importantíssimos, muitos dos quais são registrados como tesouro nacional. O Shugen-do tem uma importância cultural muito grande, pois é uma das religiões primitivas do país.

Além desse fato, o que levou a Unesco a fazer o tombamento da área como Patrimônio da Humanidade também foi o aspecto antropológico dessa tradição. Aqui ainda se preserva o Shugen-do acrescido do sincretismo com as religiões Xintoísta e o Budismo. Essa forma era muito comum no Japão até a Restauração Meiji (1868) e foi quase extinta por imposição desse governo.

Natureza e templos
É claro que a melhor época para visitar Yoshino é na primavera, para ver o grande espetáculo das cerejeiras, mas a montanha também tem outras atrações, como a floração das hortências no verão e o kooyoo (avermelhamento das folhas das árvores) no outono.

Na verdade, para quem gosta de natureza, é um lugar para se curtir o ano inteiro, e sempre acrescentando no roteiro visitas aos inúmeros templos que existem na montanha.

Entre os santuários imperdíveis estão os quatro que foram tombados como Patrimônio da Humanidade: além do já citado Kinpusen-ji, o Yoshimizu-jinja, o Kinpu-jinja e o Yoshino-mikumari-jinja. Todos têm história de mais de mil anos.


Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo

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